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Voluntariado Circular: o próximo salto do voluntariado corporativo no Ano Internacional do Voluntariado 

Em 2026, o voluntariado ganha uma relevância ainda maior no Brasil e no mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu 2026 como o  Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável, reconhecendo a contribuição de voluntárias e voluntários para a Agenda 2030 e para a construção de sociedades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis. Esse movimento representa uma oportunidade estratégica para as empresas repensarem seus programas de voluntariado: mais do que promover ações pontuais, é hora de criar experiências capazes de gerar transformação para pessoas, organizações, territórios e para o próprio negócio. 

É nesse contexto que ganha força o conceito de  Voluntariado Transformador  e, como uma evolução dessa abordagem, o  Voluntariado Circular. O primeiro, parte da premissa de que voluntariar não é apenas “fazer o bem”, mas criar condições para que a ação produza mudanças concretas e duradouras. Já o Voluntariado Circular amplia essa visão ao conectar diferentes atores e recursos em um ciclo de geração de valor: colaboradores oferecem tempo, conhecimento e competências; empresas disponibilizam estrutura, investimento e conexões; organizações sociais trazem conhecimento sobre as causas e os territórios; e as comunidades participam da construção das soluções. O resultado retorna para todos em forma de aprendizagem, desenvolvimento de habilidades socioemocionais, pertencimento, fortalecimento institucional e impacto social. 

Essa visão é especialmente relevante diante dos novos dados da  Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026, realizada pelo Datafolha e coordenada por Silvia Naccache. Em sua quarta edição, a pesquisa completa 25 anos de acompanhamento da evolução do voluntariado no país. O estudo mostra que  60% dos brasileiros já realizaram algum trabalho voluntário ao longo da vida — aproximadamente três em cada cinco pessoas – o maior percentual da série histórica, iniciada em 2001. O cenário revela também um enorme potencial de mobilização. Cerca de  60 milhões de brasileiros são voluntários ativos, sendo 19 milhões que atuam com frequência e 41 milhões de maneira eventual. O Voluntariado Corporativo corresponde à 9% desta participação e este dado revela como as empresas são essenciais para serem pontes entre o desejo das pessoas em ajudar e as oportunidades qualificadas de transformação social. 

É justamente nesse ponto que a experiência acumulada pela  CDM, há mais de uma década como referência em voluntariado corporativo no Brasil, ganha relevância. Ao longo dessa trajetória, a organização vem estruturando estratégias de voluntariado corporativo, gerindo programas e ativando ações que aproximam empresas, colaboradores e causas sociais. Essa experiência demonstra que programas consistentes não se sustentam apenas por calendários de ações, mas por estratégia, governança, escuta das organizações sociais, engajamento de lideranças, desenvolvimento de competências e mensuração de resultados. 

Além da atuação direta, a CDM também promove, por meio da  Comunidade de Voluntariado Corporativo (CMVC), eventos de benchmarking e networking que reúnem mais de  150 empresas com atuação em voluntariado e investimento social privado. Essa rede favorece a troca de experiências e a construção coletiva de conhecimento, permitindo que empresas aprendam umas com as outras e acelerem a evolução de seus programas. 

O próximo passo é transformar essa inteligência coletiva em uma lógica mais circular. No Voluntariado Circular, uma ação não termina quando o colaborador encerra sua atividade. Ela continua na aprendizagem adquirida, nas competências desenvolvidas, no fortalecimento da organização social, na ampliação das redes locais e na capacidade da empresa utilizar seus recursos de maneira mais estratégica em favor da sociedade. 

Os dados da pesquisa reforçam essa oportunidade. A solidariedade é a principal motivação para o voluntariado, citada por  74% dos entrevistados, enquanto as áreas de atuação de maior importância incluem combate à fome, pobreza e desigualdade (50%), saúde (24%), educação (22%) e bem-estar animal (17%).  Ou seja, existe disposição para contribuir e existem causas urgentes a serem contempladas. O desafio está em construir as conexões certas.  

2026, portanto, não deve ser apenas mais um ano de campanhas de voluntariado. Deve ser um ponto de inflexão. O reconhecimento da ONU coloca o voluntariado no centro das discussões sobre desenvolvimento sustentável, enquanto a pesquisa brasileira mostra que a sociedade está cada vez mais aberta à participação.  Cabe às empresas transformar esse potencial em estratégia. 

O Voluntariado Circular propõe exatamente essa mudança de perspectiva: sair da lógica da ação isolada para construir  ciclos permanentes de colaboração, aprendizagem e impacto. Para as empresas, significa ampliar o valor do investimento social privado. Para os colaboradores, representa encontrar novas formas de contribuir e desenvolver competências. Para as organizações sociais, possibilita acessar recursos e conhecimentos capazes de fortalecer sua atuação. E para a sociedade, significa converter a disposição individual de ajudar em uma força coletiva de transformação. 

No Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável, a pergunta deixa de ser apenas  “quantas pessoas voluntariaram?”  e passa a ser: “que transformações conseguimos gerar quando conectamos pessoas, empresas, organizações sociais e comunidades em um mesmo ciclo de impacto?”  

É nessa resposta que está o futuro do voluntariado corporativo no Brasil.  

Vivian Ramos

Gerente de Relações Institucionais da CDM, especialista em Gestão Estratégica de Negócios, Gestão Social e graduada em Comunicação Social, sua área de atuação é relativa a ESG, sustentabilidade, investimento social privado, voluntariado corporativo, relacionamento comunitário e mobilização de recursos, com trajetória de mais de 20 anos. Idealizadora da Comunidade de Voluntariado Corporativo.

Referências:

Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026 — Datafolha / Silvia Naccache 
As Nações Unidas / Dia Internacional das Pessoas Voluntárias | As Nações Unidas no Brasil 
As Nações Unidas / Resolution adopted by the General Assembly on 18 December 2023 
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Folha de São Paulo / Datafolha: 60% dos brasileiros fazem trabalho voluntário – 28/08/2026 – Folha Social+ – Folha