
Durante décadas, a rotina de Jorge Fábio Santos, de 61 anos, foi marcada pelo trabalho. Morador da Regional Norte de Belo Horizonte, há seis meses, porém, uma nova página começou a ser escrita. Hoje, Jorge define essa transformação com uma palavra: vivência.
A história de Jorge reflete um desafio vivido por milhares de pessoas idosas no Brasil. Em um cenário marcado pelo crescente isolamento social e pela invisibilização da população idosa, realidade ainda mais intensa em territórios vulnerabilizados, iniciativas que promovem autonomia, fortalecimento dos vínculos comunitários e qualidade de vida tornam-se fundamentais para garantir o direito a um envelhecimento digno, ativo e participativo.
Ao ingressar no projeto Entrelinhas, promovido pela CDM, iniciativa que tem como objetivo contribuir para um envelhecimento ativo da população envelhecente e idosa, possibilitando que seus participantes reconheçam e desenvolvam suas habilidades, além de atribuírem novos sentidos e vivenciarem essa fase da vida de forma mais positiva e autônoma, Jorge Santos encontrou uma forma de preencher o tempo livre com algo que sempre desejou fazer. Para ele, essa é uma necessidade comum entre pessoas da sua geração. “A maioria das pessoas ali já viveu praticamente a mesma história, trabalhou a vida inteira, levantou cedo. Agora, é hora de aproveitar”, afirma.
Além disso, é na convivência comunitária com pessoas da mesma faixa etária que ele também relata encontrar conforto e identificação. Segundo Jorge, o diálogo entre pessoas que compartilham vivências semelhantes acontece de maneira mais espontânea.
Uma das oficinas oferecidas pelo projeto é a de musicalização, que busca desenvolver a percepção e a compreensão da música de forma lúdica e vivencial. As canções trabalhadas durante os encontros despertam memórias afetivas da infância, dos avós e de histórias vividas ou contadas em outros tempos, ao mesmo tempo em que fortalecem as experiências do presente. Destaca-se, ainda, que sua confiança aumentou significativamente após ingressar no projeto. Ele descreve momentos em que a música desperta uma conexão profunda, fazendo com que o corpo se expresse naturalmente e os gestos acompanhem as canções. Essa segurança não permanece apenas durante as oficinas, mas também se reflete em sua vida cotidiana.
Para Jorge, a importância de iniciativas como o Entrelinhas vai muito além dos aprendizados proporcionados pelas oficinas e atividades. Ele enxerga o projeto como um convite permanente ao movimento físico, emocional e social. “Você movimenta o corpo, ele te agradece. Se não movimenta, ele também te avisa”, conclui.
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