
Ao longo de mais de quatro décadas de atuação, a CDM desenvolveu um olhar sensível e profundo sobre os lugares onde pulsa a vida comunitária. Para nós, um território é muito mais do que uma delimitação geográfica ou um simples espaço físico no mapa. Ele é, essencialmente, um “espaço vivido”, um lugar impregnado de memórias, identidades e um forte senso de pertencimento.
Inspirados pela abordagem das capacidades de Amartya Sen e pelo marco de ativos de Caroline Moser, compreendemos que a vulnerabilidade de uma região não se explica apenas pela falta de renda, mas também pelo enfraquecimento das capacidades, dos vínculos e dos recursos disponíveis às pessoas e às comunidades sejam eles: físicos, humanos, sociais, financeiros e ambientais. Quando os vínculos se enfraquecem, a pobreza se manifesta na fragilidade das instituições e das relações.
Observamos que muitas comunidades enfrentam desafios estruturais que vão além do visível. Quando as redes de confiança e cooperação, o que chamamos de capital social são ignoradas, o potencial local acaba sufocado por uma atuação reativa. Para a CDM, romper esse ciclo exige o compromisso de estruturar bases sólidas, respeitando a história, as relações, os modos de vida e as características próprias de cada lugar, para que o investimento social esteja conectado às necessidades e potencialidades reais do território.
O cenário dos territórios
Muitas vezes, existe uma desconexão entre os investimentos realizados por empresas ou pelo poder público e as necessidades reais das pessoas e do lugar. Isso acontece porque as decisões, frequentemente, ignoram as relações profundas que os moradores construíram com seu território.
A Metodologia (CO)³ em ação
Nossa abordagem é guiada pela metodologia (CO)³- Convergência, Cooperação e Corresponsabilidade, valorizando o desenvolvimento que nasce de decisões compartilhadas.
O modelo se organiza em duas etapas fundamentais:
Transformações e impactos
Mais do que apenas cumprir normas, nossa atuação busca traduzir protocolos para a realidade concreta de cada comunidade. Quando as demandas são qualificadas, a população passa a dialogar com o poder público e empresas, reduzindo conflitos por meio da transparência.
O território deixa de ser um conjunto de iniciativas isoladas para se tornar um ecossistema de proteção e desenvolvimento social.
Na CDM, aprendemos que a verdadeira transformação não acontece quando apenas aplicamos metodologias, mas quando conseguimos aliar o rigor técnico à sensibilidade de saber escutar. É assim que seguimos vivendo nosso propósito de encontrar o bem de cada pessoa para transformar o mundo. Por isso, convidamos nossos parceiros a irem além de mitigar problemas, a investirem na reconstituição dos ativos, dos vínculos e da capacidade que cada comunidade tem de construir seu próprio caminho.
Élida Carneiro
Gerente de projetos da CDM Projetos Sociais de Alto Impacto, Doutora em Sociologia e especialista em estratégias de desenvolvimento territorial e fortalecimento de governanças locais com foco em impacto social sustentável.
Referências bibliográficas::
SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Trad. Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
MOSER, Caroline. The asset vulnerability framework: reassessing urban poverty reduction strategies. World Development, Washington, DC, v. 26, n. 1 p. 1-19, 1998.
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