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Formar protagonistas, ser protagonista: a trajetória de Ana Luiza Mendes na CDM

Existe um tipo de aprendizado que só se completa quando acontece nos dois sentidos. É o que revela a trajetória de Ana Luiza Mendes, assistente de projetos da CDM e estudante de psicologia. Ao mesmo tempo em que dedica seu trabalho a ajudar adolescentes a encontrarem e ampliarem suas vozes, ela também é incentivada a reconhecer a própria voz e ocupar espaços de protagonismo.  

Antes mesmo de chegar à CDM, Ana Luiza já havia escolhido esse caminho. Em sua cidade natal, Turmalina-MG no Vale do Jequitinhonha, criou e coordenou, por mais de cinco anos, o “Encontremsi”, um grupo de apoio motivacional para adolescentes. A iniciativa nasceu de uma inquietação   ao perceber que seus colegas estavam cada vez mais afastados e isolados e que esse comportamento começava a ser visto como algo normal. A escuta foi o primeiro passo. A partir dela, vieram parcerias com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e a assistência social do município, ampliando a rede de apoio aos jovens.  

Anos depois, após concluir a graduação na área das exatas, Ana Luiza assumiu a coordenação do projeto “Ativa Jovem” em sua cidade natal, à frente do Serviço de Convivência para Crianças e Adolescentes. Em uma cidade de cerca de 20 mil habitantes, acompanhava 90 adolescentes. Foi nesse trabalho que ela viu, de perto, os efeitos de criar espaços para que os jovens pudessem se expressar.  

“Os que viviam totalmente introspectivos passaram a falar ao microfone. Protagonismo juvenil, é essa a palavra”, afirma.  

Hoje, essa missão continua em sua atuação na CDM. Um dos espaços em que ela coloca esse propósito em prática é o projeto Lidera, desenvolvido no bairro Jardim Canadá, em Nova Lima – MG. A iniciativa busca fortalecer o protagonismo juvenil, ampliar a participação cidadã e criar oportunidades para que adolescentes participem ativamente da construção de soluções para os desafios de suas comunidades.  

Para Ana Luiza, o trabalho também representa uma forma de exercer a psicologia conectada à realidade de cada pessoa. “É uma psicologia conectada com o contexto, para que você possa ajudar os adolescentes a se reconhecerem com orgulho no próprio território, fortalecendo o pertencimento e o desenvolvimento de perspectivas para o futuro.”  

Entre as experiências que marcaram sua trajetória no Lidera, Ana Luiza guarda uma lembrança especial. Apenas três meses depois de chegar ao projeto e se integrar à equipe, ela comemorou seu aniversário ao lado dos adolescentes. A surpresa veio deles, um bolo amarelo, sua cor preferida, feito por eles.   

Mais do que uma comemoração, aquele momento representou a construção de um vínculo, foi quando percebeu que a relação de confiança com os adolescentes estava se fortalecendo.   

Protagonismo dentro da CDM  

Se, em seu trabalho com os adolescentes, ela busca criar espaços para que eles ocupem o centro de suas próprias histórias, dentro da CDM também passou a experimentar esse movimento.

Ela destaca que a participação no Encontro Técnico, promovido pela organização, enquanto atuava como estagiária, foi um momento muito importante nesse processo, pois a fez sentir-se parte da equipe, construindo seu espaço e criando vínculos.

Pouco depois de ser efetivada como assistente de projetos, recebeu um convite para representar a instituição em um evento externo. Para ela, foi um dos momentos em que mais se sentiu protagonista.

“Me enxergaram como alguém que pode estar em outros ambientes levando a CDM”, destaca.  

O convite representou mais do que a possibilidade de participar de um evento, significou perceber que a instituição também confiava nela para ocupar novos espaços, compartilhar seus conhecimentos e representar aquilo que constrói diariamente.  

“A partir do momento em que confiaram em mim, eu me coloquei também numa posição de que preciso aprender cada vez mais para falar da instituição com o amor e a verdade que a gente sente aqui dentro,” compartilhou.   

Para a CDM, incentivar o protagonismo e acreditar no potencial de cada pessoa, dos beneficiários aos colaboradores, é criar caminhos para que cada um possa reconhecer suas capacidades, desenvolver-se e colocar sua potência em prática. Esse deve ser um movimento simultâneo, pois, para formar protagonistas, é preciso também valorizar e incentivar as capacidades, experiências e potencialidades dos colaboradores que compõem a organização.